Era para sair azul…

Você já não passou por algum aperto onde seu trabalho deu errado e na hora ficou com aquela cara de como aconteceu comigo? Quem entra para o mercado profissional de trabalho, se deparará com muitos desafios, desafios esses que o tempo ajudará a superar e resolver com sabedoria e tranquilidade através das experiências adquiridas.

A questão é que ninguém gosta de errar, mas somente com os erros é que podemos aprender e evitar novos. Em áreas que trabalham com criação é comum a cada dia a pressão por prazos apertadíssimos e diga-se de passagem, até absurdos em muitos casos. Boa parte do trabalho é bem técnico, outra pequena, mas não menos importante é criativa.

Um dos pontos em que às vezes gera-se uma certa dificuldade para quem está envolvido em um projeto de design gráfico, é a escolha da tipografia, das cores, das formas, pois elas influenciam bastante na nossa percepção e no resultado de uma trabalho, seja impresso, projeto para a web ou na criação do logotipo e da identidade visual de uma empresa.

Profissionais em início de carreira pela falta de experiência erram algumas vezes, porém os profissionais mais experientes também estão sujeitos a erros, principalmente sobre grandes pressões exercidas pela rotina diária da profissão.

Como trabalho com CorelDraw, usarei a paleta de cores do programa para ilustrar nosso artigo. Só lembrando que nada há de errado com a paleta de cores do programa. Aqui podemos visualizar o famoso “Azul” composto das tintas puras, Ciano 100% + Magenta 100%, cujo resultado será um “azul/lilás”, mas que por confiar cegamente que é um azul, acaba sendo uma cor que costuma dar dores de cabeça quando usada de forma equivocada.

 

Ciano e Magenta

Tintas puras: Ciano 100% e Magenta 100%

Abaixo podemos visualizar a cor já pronta na paleta do corelDraw

 

Paleta de Cores CMYK do Corel

 

 

 

Há muitos anos atrás, quando trabalhava em uma gráfica, tive uma experiência bem desagradável ao escolher esse azul . Fiz o trabalho para a cliente, ela olhou na tela do computador (não quis uma prova), corrigimos mexe aqui, muda ali, confirmado a cor e tudo o mais, foi aprovado e seguiu para ser impresso. Cliente feliz, eu feliz a gráfica feliz. Mas, quem disse que felicidade de pobre vai longe? Quando o trabalho ficou pronto, (era a primeira vez que eu usava esse tom de azul) tivemos a surpresa.

A cor claramente na tela do computador parecia ser azul escuro, mas depois de impressa no papel, percebia-se claramente que era um azul/lilás. E agora o que dizer para a cliente? Obviamente ela não gostou, tivemos um retrabalho danado e tempo perdido. Acontece, mas se podemos evitar é sempre melhor não acham?

Desde então, aprendi minha lição e quando um cliente insistia ou insiste na escolha dessa cor, eu oriento e deixo claro que não sairá azul e sim um azul arroxeado. Para entendermos melhor, eu fiz umas simulações. Na primeira escala de exemplo, o primeiro quadrado tem Ciano 100% + Magenta 100% que dará a cor “azul/lilás”.

Ex.: 1 – Tomemos o primeiro quadrado como referência onde dividimos os 100% de magenta e os 100% de ciano por cinco (a quantidade de quadrados), obtendo o seguinte resultado: 100/5 = 20%. Subtrairemos 20% de ciano e magenta sucessivamente até chegar ao último quadrado que terá obviamente 20% de cada tinta. podemos ver que  o último quadrado não ficou azul, mas lilás devido ao equilíbrio entre as porcentagens idênticas das duas tintas.

Azul roxo 100 e 100

 

Ex.: 2 – A partir desse segundo exemplo, observemos que mantive o cian em 100% e reduzi o magenta para 50%. Isso fez com que o ciano se sobressaia puxando as tonalidades mais para o azul ao invés de lilás, porém, como a porcentagem de magenta é a metade, a cor ainda puxará para um azul lilás, perceba no último quadrado.

Azul roxo 100 e 050

 

Ex.: 3 – Com magenta em 40%, o quinto quadrado ainda terá no final uma tonalidade que puxará para o lilás.

Azul roxo 100 e 040

 

Ex.: 4 – Com magenta em 30%, o quinto quadrado ainda terá no final uma tonalidade que puxará para o lilás.

Azul roxo 100 e 030

 

Ex.: 5 – Nesse quinto exemplo, além do ciano e magenta, acrescentei 15% de preto o que deixará a tonalidade de azul meio acinzentada onde podemos ver melhor no último quadrado.

Azul roxo 100 e 015 006

 

Ex.: 6 – Neste sexto exemplo, coloquei lado a lado todos os últimos quadrados dos outros exemplos onde podemos notar as diferenças de tonalidades. Quanto menor a porcentagem de magenta, mais o azul se destaca. Eu particularmente para deixar a cor azul em seus nuances não uso mais do que 15% de magenta, acima disso vai puxar para o lilas.

Azul comparativo de tons

 

Trabalhar com cores sem ter uma escala é bem mais complicado para iniciantes e até mesmo para alguns profissionais. Para poder trabalhar dentro de uma certa segurança, é preciso ter certeza do que se está fazendo. O recomendável é trabalhar com as escalas de conversão de cores. Caso queira comprar a sua Escala Pantone Formula Guide Set Coated & Uncoated [com brilho e sem brilho]. Aqui o link: http://www.pantone.com.br/pantone-formula-guide-set-coated-uncoated-2015-gp1601.html

 

Essa é a maneira como eu achei para trabalhar com a tonalidade azul, mas nada impede de você criar a sua em se tratando de CMYK.

Bem, é isso pessoal. Espero que tenham gostado do post.

Até o próximo.

Willys

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